A restauração do "Bibelô":

Meu nome é Cesar, tenho 62 anos, sou economista aposentado e moro

no interior do Estado do Rio de Janeiro.

 

Em meados de 2006 dirigi pela primeira vez um Gurgel; tratava-se de um

BR800SL, de propriedade do Silvinho, um amigo de infância aqui da minha cidade.

 

Foi paixão à primeira vista, não pelo Silvinho, que já era antigo, mas pelo "carrinho" dele.

A partir daí, saí feito maluco procurando um BR800 para comprar.

Procura daqui, procura de lá, pergunta a um, pergunta a outro ... nada!!!

De repente, "do nada" um amigo – que aliás, nem sabia que eu procurava um Gurgel,

me ligou e disse que tinha visto um Gurgel bonitinho na cidade

de Miguel Pereira-RJ.

 

Aí começou a saga:

08 de janeiro de 2007 - Lá fomos nós: eu e o Helder, (meu fiel escudeiro para essas maluquices),

sem saber muito onde procurar e o que iria encontrar.

 

Encontramos um Supermini, aparentemente inteiro, relativamente liso de fibra e,

o que me pareceu principal, com a documentação rigorosamente em dia.

Chora pra lá, chora pra cá... Trouxemos o carro.

No dia seguinte, começamos a reforma, conforme pode-se acompanhar nas fotos adiante.

 

A COMPRA

Nas fotos, clique para ampliar.

Foi aqui, em 08 de janeiro de 2007, que tudo começou.

O Coitado do Supermini estava jogado no fundo de uma garagem.

Nesse ponto, o caso "tava de lascar", era lixo por todo lado... Um horror!

Dava pena de ver, o pobre do carrinho, jogado daquela forma.

Por fim, não tinha mais jeito, tinha sido paixão à primeira vista e ...

fosse lá o que Deus quisesse - ESTÁVAMOS DENTRO !!!

 

A CONSTATAÇÃO

No dia seguinte o "Bucista", nosso lavador oficial, começou a primeira "higiene" 

do carro e... aí meus amigos - Putz!!!

Era ferrugem pra todo lado.

Vazamentos?

Sei lá quantos, mas...

"MUITOS"

Pra não entristecer muito a galera,

vou mostrar só mais UM, ou serão UNS?

A pneusada parece até boa né? -

Engano seu meu caro, tudo rachado na banda de rodagem e,

como diz meu filho, "só derrota" !!!

Depois de devidamente lavado,

começamos a detonação.

 

DESMANCHANDO A CARROCERIA

E o pau quebrou geral.

Desmontamos o carro todo.

Tiramos a forração interna, inicialmente pensando em lavar e recolocar.

Vai sentindo bem o drama.

Pensa que acabou?

Isso foi só o começo porque, pra tirar a forração toda,

tem que tirar o painel. E aí...

O Fabrício, que é o mais ajuizado da turma,

resolveu levar o painel inteirinho pra casa dele.

O Helder "pirou na batatinha" e radicalizou - passou a mão no chicote inteiro do carro  e puxou pra fora com a maior sem-cerimônia do mundo.

Mas, fiquem sabendo que tudo isso foi feito COM O MEU consentimento POIS EU SABIA EXATAMENTE O QUE QUERIA FAZER.

Esta é a placa interna do capô que existia no carro.


DESMANCHANDO A MECÂNICA

Aqui, toda a suspensão - dianteira e traseira mais os pneus,

já fora do lugar, à espera de manutenção.

Suspensão dianteira no chão - antes da recuperação.

Diferencial no chão - antes da recuperação.


DESMANCHANDO O MOTOR

Cabeçotes, carburador e outras partes do motor, já aberto.

Bloco, camisas, pistões e MUITO VAZAMENTO DE ÓLEO,

mas MUITO VAZAMENTO!

Nessa hora pensei em chorar, mas, como vi que adiantaria pouco,

suspirei fundo e fomos à luta.

Mais lenha - camisa arranhada, pistão frouxo, biela empenada.

Um horror.

Só mesmo "São Darcy" da SOS GURGEL pra me salvar.


A REFORMA DA CARROCERIA

Vista do interior do carro mostrando o painel.

PAINEL?!?! ....

QUE PAINEL?!?!

Aqui a parte traseira, quando ainda existia a forração do teto.

Cofre do motor e demais componentes.

Trabalho de fibra é assim, dá pra virar do avesso.

A placa interna do capô estava "detonada".

E depois de refeita, "step by step" - ficou assim.


A REFORMA DA ELÉTRICA

Primeiro as lanternas,

um horror, rachadas, sem brilho e sem os terminais.

Depois de reparadas melhorou bem!!!

Por fora tinta preta e por dentro aquele spray que simula cromagem.

Leno, o nosso eletricista e eu, sofremos com a montagem do painel.

O esquema elétrico do carro, que ninguém tem, faz uma falta danada.

A gente teve que adivinhar as coisas mas... "DEU CERTO"!!!

Parte traseira pronta.

Parte dianteira pronta, motor instalado -

SÓ ALEGRIA!!!

Atenção para a data da foto. Lembra que o início foi em 10/01/07 ?

POIS É !!!


A REFORMA DO ESTOFAMENTO

Bancos? ...

Espuma?...

Miolo?...

Ferragens?...

Tudo coisas do passado.

Forração original do teto.

A forração interna depois de MUITAS VEZES LAVADA,

só serviu de molde para a forração nova, feita num material chamado VERNIZ.

Início da nova forração dos bancos.

Início da nova forração do teto.

Início da nova forração do interior com o tal VERNIZ.

Tudo feito segundo os moldes da forração original.


REFORMA DA MECÂNICA

Toda a suspensão dianteira e eixo traseiro - já recuperados.

Diferencial tinindo.

Tudo nos trinques.

Outra vista do mesmo material.

Tudo reformadinho fica muito melhor, né não?!?!?!


A MONTAGEM

Esta foi a fase do "trepa peça" – Loucura geral.

Até parecia o "Overhaulin", aquele lá do "Chip Foose".

E o "Trepa peça" continua.


A REFORMA DO MOTOR

O Rogério, nosso mecânico

(com sua inabalável calma e com toda maestria do mundo),

vai chegando as coisas no lugar.

Até que em fim, eu apareço para dar uma mãozinha...

(não gente, não é isso não, é que eu estava fotografando).

E tem mais uma coisa, O AJUSTE FINO SÓ OS "MESTRES" PODEM DAR.

RSRSRSRS!!!

Afinal, a obra (motor) pronta.


A REFORMA DA PINTURA

Alguma coizinha de massa...

Coisa muito pouca!

Sulfacer geral, só pra ficar bem legal.

E, tinta na "criança"

SEM MISÉRIA.

 

O RESULTADO

Agora vê só se pode galera!

Demos um duro dos infernos só pra Ministra do Interior

poder curtir seu "Bibelô".

Mas, afinal, ELA MERECE !!!

 

COM RELAÇÃO À REFORMA PROPRIAMENTE,

FORAM TOMADAS AS SEGUINTES PROVIDÊNCIAS:

 

1.       Todas as borrachas (vidros, portas, capô, porta mala, pestanas de janelas) foram substituídas.

2.       Todos os cabos (embreagem – acelerador – freio de não) foram substituídos.

3.       Motor: Desmontado e refeito com substituição de camisas, pistões, anéis de segmento, juntas e outros que tais.

4.       Caixa de direção: Desmontada, limpa, ajustada e re-engraxada.

5.       Caixa de mudança: Desmontada, limpa, ajustada, aplicação de óleo novo e Bardhall.

6.       Diferencial: Desmontado, limpo, ajustado, retentores e rolamentos trocados e aplicação de óleo novo e Bardhall.

7.       Toda a forração interna, inclusive teto foram substituídos, seguindo EXATAMENTE, os moldes dos originais.

8.       Forração dos bancos foi substituída, seguindo EXATAMENTE, os moldes dos revestimentos originais retirados.

 

Isto tudo se deu no período de 08 de janeiro a 02 de abril de 2007.

Acontece que este panorama todo acaba por ter sido totalmente modificado em respeito,

aos inúmeros comentários recebidos no site www.gurgel800.com.br  e à HISTÓRIA DA MARCA GURGEL.

 

Portanto, venho agora apresentar a todos os amigos, meu mea culpa, mea maxima culpa

por um erro grosseiro de avaliação que cometi na hora da definição da cor do “Bibelô”.

 

Tenho restaurado, ao longo desses últimos 30 ou 40 anos, muitos outros carros, de marcas e modelos

os mais diversos; desde Jeep’s militares 1948 e 1951, passando por Fordinhos 1928 – 1929 – 1931 e 1934,

até Karmann Ghia 1967 e Fuscas 1959, 1967 e 1968.   

 

Logo, jamais poderia ter cometido a desatenção de não buscar a cor de origem do “Bibelô” pois,

assim foi feito com todos os outros modelos anteriormente restaurados.

 

Eu e minha mulher escolhemos as cores “vermelho e prata”, somente imaginando a beleza, a estética e a composição das cores,

talvez empolgados ou influenciados com alguns dos belíssimos modelos que figuram na sessão “Meu Gurgel”.

 

Entretanto, gostaria de deixar claro que não condeno nem recrimino quem troca a cor, a forma ou o conteúdo de seus carros mas,

como “purista” que sou, não poderia me permitir tamanha “licença poética” no caso em questão, vejam porque: Tem algum tempo,

recebi do amigo Aurélio Rosatelli, um belíssimo presente; a “Ficha de Fabricação Original do “Bibelô”, exatamente a ficha do carro, com numeração de carroceria, chassis, motor e transmissão, conferindo, “Ipsis litteris”, com as plaquetas que nele estão.

 

Quando vi o verso da ficha tive um choque pois, o carro havia saído de fábrica na cor “OURO”,

exatamente a sua cor quando comprei. Vejam as quatro primeira fotos.

                                                         

Assim, de posse de um documento que, podemos dizer que é a “Certidão de Nascimento” do carro, não tive dúvidas,

tirei – sem dó nem piedade – a bela pintura “vermelho e prata” e preparei novamente o carro para receber

a sua nova pintura “OURO”.

 

Desta forma, apresento aos amigos a verdadeira imagem do “Bibelô”, na sua versão original, tal qual foi concebida

pelo Dr. João Augusto Conrado do Amaral Gurgel, na Ficha de Fabricação nº 25269 e, tal qual foi testado

pelo Sr. Samuel (motorista de testes da empresa) às 13:30 h do dia 20 de maio de 1992.

                                                               

Ficam aqui meus agradecimentos:

1. ao amigo Aurélio  pelo belíssimo presente da ficha de fabricação;

2. ao amigo Fernando João, pela oportunidade que me deu de tornar pública a realização de mais um sonho e      

3. a todos os amigos que têm visitado a “Reforma de um Gurgel Supermini” e deixado comentários cheios de muito incentivo, o meu maior MUITO OBRIGADO.

Cesar Cupello